quarta-feira, dezembro 06, 2006

Emprego Vs Trabalho em Iraí

Ao final do ano de 2000, Quatro Barras foi atingida por um ''tsunami econômico'', com a criação do Lago do Irai. Nesse mesmo ano, foi aprovada pela Câmara Municipal Lei de zoneamento que dificultaria, e muito, a instalação de indústrias ou atividades que pudessem representar risco às águas do Irai.

Com um misto de perplexidade, inconformismo e irritação com o IAP, nossa sociedade, representada por lideranças públicas e privadas, sentiu o golpe e passou a questionar as vantagens da preservação ambiental, comparando-as com as perdas pela redução de empregos formais daquelas industrias que não mais poderiam aqui se instalar.

Passados esses 5 anos, observa-se que, com ou sem preservação ambiental, aquele emprego formal com carteira assinada e tudo, está diminuindo significativamente em todo o planeta, pelo maciço uso da tecnologia.

O setor bancário, por exemplo, encolheu 50% em 10 anos, passando dos mais de 800 mil empregos em 87 para cerca de 500 mil, sendo que, no mesmo período, dobrou o número de clientes.

Na área em que o Presidente Lula trabalhou como torneiro mecânico, em 86 havia 157 mil trabalhadores para produzir 1 milhão de veículos. Em 2004 para produzir mais de 2 milhões de veículos, foram necessários, apenas, 100 mil trabalhadores.

Computadores e Internet se juntaram para operar essa fantástica mudança, que é irreversível para o futuro. Mais grave ainda é a velocidade com que isso está acontecendo, dificultando ou até impedindo ações alternativas, pois se leva tempo para trocar um sistema que vem funcionando há 100 anos, por outro.

Como deixar de ser torneiro mecânico para, por exemplo, empregar-se como recepcionista de um hotel? Ou motorista de táxi? Ou programador na área de computação? Ou vendedor ou atendente no comércio ?

Na nossa Quatro Barras, como deixar de seguir os passos de antepassados, profissionais das pedreiras ? ou da extração de madeira ? para qual atividade, já que os empregos formais se escassearam ?



Há que se encarar a necessidade de romper essa cultura do emprego criada no século passado e olhar as oportunidades de trabalho para substituí-lo.

Logo após a criação do Lago do Irai, as empresas de porte, que conseguiram instalar-se aqui antes disso, criaram, nos seus primeiros anos, novos empregos e sentiu-se isso com muita clareza, no forte crescimento do comércio local bem como nas empresas de prestação de serviço. Agora a questão é como dar continuidade a novas oportunidades?

Vem crescendo no Município, pequenos empreendedores que já estão oferecendo trabalho e renda na área do turismo rural, junto com o artesanato, que se produz aqui com boa qualidade. Alguns estão aqui se instalando visando essa possibilidade de negócio, outros há anos, vem se preparando para atender esse segmento econômico, preparando suas propriedades para atender a pequenos grupos, quer para conhecer as belezas naturais desta privilegiada terra, quer oferecendo uma excelente gastronomia baseada em produtos naturais (vários com orgânicos), como coffe-breaks, cafés rurais, almoços, reuniões de empresas, religiosas, aniversários e casamentos.

Com isso, já estão sendo oferecidas oportunidades de trabalho no meio rural, e seu crescimento deve ser apoiado e desejado, pois é ele que pode mais rapidamente, cobrir a lacuna aberta com as limitações industriais.



Quatro Barras já possui número de empreendimentos, que são capazes de atender a esses grupos com ótima qualidade.

Para se organizar melhor, estruturaram a Aprotur - ASS. PRÓ-TURISMO DE QUATRO BARRAS.

E contrataram turismóloga, cursando especializacão em turismo rural, para desenvolver e coordenar a Associação.

Uma de suas tarefas é atrair para o Município, outros empreendedores que se somem aos atuais com novas idéias e investimentos.

Esse artigo tem como uma de suas finalidades chamar a atenção das lideranças públicas e privadas para o fato de que é no setor turismo que vamos encontrar a solução de trabalho e renda, mesmo que inicialmente não seja através de um emprego formal

Pretende ainda que essas lideranças apóiem esse setor econômico, independente de terem ou não propriedades rurais ou atuação na área do artesanato.

A resposta para a pergunta lá de cima, está no reconhecimento e acatamento das limitações do Município, sendo o setor turístico de contemplação, ou ambiental, radical ou religioso, gastronômico ou rural, a saída para a criação de novas oportunidades de trabalho e renda para nossa população.

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