domingo, agosto 17, 2008

Guarani no Parque Nacional do Iguaçu. Vergonha para o Ibama

29 de Setembro de 2005 | Atualizado às 15:10h
Guarani no PNI - Vergonha para o Ibama, por Jackson Lima

Notas do Turismo, número 67.

Não posso deixar de opinar aqui sobre a crise que o Ibama enfrenta com a ocupação do Parque Nacional do Iguaçu pelos Avá-Guarani.

Sem ir muito profundamente no mérito do assunto, lamento profundamente qualquer ameaça à integridade física do PNI - um parque tão lindo, tão importanrte para a humanidade, como um todo, para todos em geral e, para mim, particularmente.

Lamento que os colonos tenham ocupado o PNI anteriormente assim como lamento a situação dos Guarani agora e lamentarei quando houver outras atitudes semelhantes no futuro. Que haverão, haverão a menos que o Ibama deixe de ser hipócrita e para de agir seguindo medidas e pesos diferentes.

O que está errado?

O Parque Nacional do Iguaçu tem um Plano de Manejo que deve ser obedecido e não é. Dependendo da ocasião os burocratas ibamianos dizem: "o Plano de Manejo ordena". Em outras ocasiões, eles dizem: " o Plano de Manejo sugere", isso quando os interesses são dos grandes.

Pois bem: o Plano de Manejo ordena ou, dependendo da hora, sugere que o Ibama implante cinco PROGRAMAS em caráter de urgência. São eles: 1) Programa de Uso Público, 2) Programa de Integração, 3) Programa de Conhecimento, 4) Programa de Manejo de Meio Ambiente e 5) Programa de Operacionalização.

De todos esses programas. O Ibama só se preocupou, visivelmente, com o Programa de Uso Público que é onde se pôde encaixar a "visitação" turística e o não-existente Plano de Revitalização - pois não existe um Plano de Revitalização de verdade.

O Programa de Conhecimento é o Programa que, dentro de seus subprogramas incluem as pesquisas e a geração de conhecimento. A Pesquisa séria e não como o Ibama faz hoje no PNI, nos capacitaria para entender realmennte os problemas, os valores, as ameaças, a previsão de crises e até o motivo real de preservar o Parque Nacional.

Não entrando em detalhes, só menciono pelas bordas, que o Plano de Manejo, sugeriu mas não foi atendido, que Administração do PNI, fizesse um levantamento exato dos sítios, lugares que indiquem a presença histórica de tribos dentro da área hoje preservada pelo nosso sofrido PNI, para evitar problemas tais como os que agora acontecem e evitar, pelo que se entende, ações na Justiça. O Plano de Manejo diz muito mais. Sugere muito mais.

Recentemente, se fala baixinho sobre descobertas de cemitérios guarani na área do Poço Preto e outras, que ocorreram durante as excavações para a construção de infraestrutura para os futuros "atrativos" do PNI.

A falta de transparência das decisões no PNI que envolvem o que dá dinheiro é muito grande. Além do naniquismo do Programa de Conhecimento é muito mais raquítico o Programa de Integração que tem como seu fundamento ou alicerce uma tal de "educação ambiental" e não contempla as comunidades do entorno de todos os municípios que não vêem sugestões de alternativas econômicas. A qualquer momento, os colonos serão avisados de que criar galinha a menos de 10 quilômetros do Parque é proibido pois tais aves junto com os porcos, pato, ganso, jegue, cavalo são exóticos.

Onde estão as alternativas? Lamento muito ver o Ibama aproveitando-se da imprensa atrelada e escravizada de Foz do Iguaçu para denigrir ainda mais a imagem desse povo que, apesar de tudo, resiste a invasão, essa sim, dos últimos 500 anos. Tentam transformar em delinqüentes os 50 índios descalços, esfarrapados, desdentados enquanto elevam ao grau de cavaleiros e senhores, aqueles que realmente estão provocando a destruição do Parque Nacional, da Natureza e do futuro.

Se eu pudesse ser lido pelos guarani que segundo a imprensa do poder se comunicam por celular - com baterias infindáveis -, gostaria de pedir-lhes que saiam do Parque. E aqui de fora, entrem na Justiça por danos a moral, pelo ato de violação, com o apoio do Ibama, de cemitérios e lugares sagrados e possam pedir na Justiça o dinnheiro necessário para comprar - se é que isso possível - a Terra, 10 mil hectares, 20 mil e reflorestá-la. Parafraseando, o cacique Seattle: como é possível comprar a terra se ela é nossa mãe?

Finalizando, só lembro que o Plano de Manejo lamenta que tenha havido um Plano de Revitalização que foi executado às pressas sem esperar que houvesse o conhecimento necessário. Por fim, destaco que o PLano de Manejo denuncia, levemente, que o Plano de Revitalização é uma criativa invenção turbinada e influenciada pelo Ibama do Paraná. Talvez o Ibama nacional peque por omissão. Diz o PLano de Manejo:

No que se refere ao PR, concebido excepcionalmente, não contempla o manejo integrado da UC, mas antes propõe apenas aumento da infra-estrutura e ações para o uso público, com praticamente, todos os serviços prestados a partir de concessionários. Como diz Magro & Vieira (1999), " apesar da preservação dos ecossistema naturais ser apontada como uma das metas do Programa, o documento trata essencialmente dca adequação da Unidade para o atendimento do mercado turístico". Plano de Manejo, Encarte 7.7.2 - Condicinantes do Manejo.

Creio que é por isso que estamos escutando boatos de que o Plano de Manejo está sendo revisto.


Leia a coluna do Jackson Lima no Portal H2FOZ e no http://notasdoturismo.myblogsite.com/
Republicado aqui!

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